Eu me pergunto quando é que eu vou ter minha liberdade de volta.
Nunca confiei em ninguém, e sinceramente, ninguém nunca me deu motivo suficiente pra que confiasse. Questão de proteção, eu acho. Só não quero colocar a mão no fogo desnecessariamente.
Não vejo a hora de me mudar daqui de uma vez por todas. Rezo pra que tudo dê certo. Eu nunca mais quero voltar pra cá. Quero paz. Quero trabalhar. Quero te esquecer. Quero ocupar minha cabeça o dia todo e chorar mil lágrimas quando a solidão chegar. Eu quero te conhecer. Eu quero que você goste de mim. Tenho medo de você ser o único que eu consiga na vida, e eu preciso de atenção.
Ninguém nunca me escutou. Às vezes eu até prefiro que seja assim, mas me mata o fato de ter que ficar calada o dia todo. O almoço é um inferno. Eles só conversam entre eles e eu fico lá, comendo, olhando, rezando pra que o tempo passe logo e que eu volte para as minhas coisinhas. São poucos os segundos que eu consigo me sentir realmente querida.
A lista de pessoas que tem me odiado está aumentando. O que é que eu estou fazendo? Pergunto-me se também é por essa minha falta de fala que eles me odeiam. Ontem a noite fechei a porta, apaguei as luzes, e contei para as paredes os meus problemas. Percebi que eu já estou perdendo minha boa articulação por não falar muito. Eu nunca pensei que algum dia chegaria nesse ponto.
As paredes escutaram, ficaram quietas. Eu me senti segura por saber que elas não iriam me julgar e muito menos contar para alguém as coisas que eu disse. Elas não me pediram explicações. Apenas escutaram, algo que ninguém nunca fez comigo. Senti-me aliviada de alguma forma por ouvir apenas minha própria voz.
Perdi minha voz no meio dos meus pensamentos, porque eu penso demais. Pensar demais tem lá suas vantagens, mas se você não sabe quando parar (e muito menos como) se torna um problema.
Mãe, pai. Eu não confio em vocês.
Mundo, eu tenho segredos demais para que você possa saber.
Anjo, se você soubesse o quanto eu queria você aqui agora...
Heaven, help me.