domingo, 26 de dezembro de 2010

Gasolina.

E eu quero mais é que tudo se exploda! Que o circo pegue fogo, e que você não tenha a quem recorrer quando precisar de ajuda. Que vire uma bagunça! Será que você vai aguentar o tranco? Um dia desses, num desses nossos esbarrões casuais, quem sabe você não implore pra eu voltar?

Quero mais é que você grite por socorro, perca o fôlego, fique com fome, procure caminhos sem saída. Quero que você tente me achar, quero que se mate de cansaço, e mais ainda: que engula todas as palavras que você me disse. Tomara que você se engasgue com todas elas e morra, mande um beijo pro tio San por mim, ok?

Corra, corra, corra, corra, não ache a saída. Você é burro demais para achá-la.

Quando precisar de mim, eu não vou estar aqui. Apenas me procure desesperadamente, faça o que for, mas eu não vou voltar.

Quando seu corpo estiver em chamas, pode ter certeza que eu serei a pessoa com uma garrafa de gasolina mais próxima. Mas, se me dá licença, eu vou sumir.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Por algum motivo...

...eu já não consigo mais sentir sua presença.

Seria isso um aviso?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Não, eu nunca vou ser a preferida.

Não guardo nenhuma recordação de alguma vez ter sido melhor que ela, não, nunca. Guardo as lágrimas atrás dos óculos de grau, atrás dos olhos, e se elas teimam em sair, vou até o banheiro, tranco a porta, dou-me apenas alguns segundos para recompor-me, olho para o espelho, "Tudo bem, vai passar. É apenas coisa da sua cabeça, meu bem.", respiro fundo, dou descarga mesmo sem haver nada ali, lavo as mãos, e volto normalmente, como se absolutamente nada houvesse acontecido. E sempre, sempre foi assim.
A Preferida nunca sofreu com nada assim. Quando chora, chora escandalosamente para que eu e o mundo possamos ouví-la e ampará-la, e não há mal nisso, é sempre normal. Sempre há motivo.
Se vissem aqueles poucos segundos meus no banheiro diriam "Ciúmes, é normal.".

Não, não é normal.

Portanto, Preferida, não roube de mim o que é meu. Eu apenas quero que duas coisas fiquem comigo: minha melhor amiga, e meu namorado (se algum dia eu tiver um). Quanto ao pai e a mãe, pode ficar. Um dia eles irão entender, não é mesmo?

Não, não é.

Não, Preferida, você não tem culpa de ser a melhor filha. Eu já não me importo, por tantos anos foi assim e mais uma vez ou outra eu aguento. A solidão se tornou minha melhor amiga quando tudo estava dando errado, não há nada de errado em ficar sozinha, mas você não sabe como é isso, não sabe como é não ser a preferida.

Nunca fui e nunca serei. Tudo bem, pode ficar com isso. Eu não quero. Mas mande-me lembranças quando eu estiver longe daqui, quando eu puder chorar abertamente, quando eu for eu mesma e quando isso tudo for passado. Mande-me uma carta, uma foto, qualquer coisa, mas não traga-me de volta para esse inferno, Preferida. Que fique aqui você, eu tenho sonhos bem maiores.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Desejo.

Eu tenho medo. Um medo tão grande do que pode não acontecer, do que pode não dar certo, do que pode não ser, e principalmente dos "podem não" que rondam minha cabeça vinte e sete horas por dia.

Tenho sonhos tão grandes, tão insaciáveis, tão meus, tão peculiares e cheios de prosa, sem sentido algum, mas tão eu, e eu mentiria para te proteger. Deus, como eu sinto sua falta.
Eu sou incansável, insatisfeita, intolerante, impaciente, insensata, insuportável, e irracional (o máximo possível) que já não aguento mais viver nesse corpo. Eu queria ser normal, eu queria aquilo, aquilo outro, mas eu não consigo.

Como eu gostaria de tirar uma foto de corpo inteiro sem me sentir gorda. Esse provavelmente deve ser meu maior desejo. Qual o problema com esse maldito corpo? Qual o maldito motivo dessa forma horrível? Eu já não aguento ficar comigo mesma, não aguento ser isso, só isso.

"Siga seus caminhos misteriosos para que consigas fazer seu milagre, pois o sofrimento se transformará em remédio para seu corpo e sua alma."

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Relembrar o passado...

pode ser doloroso o suficiente para querer escrever.

Quantas, quantas vezes eles me ignoraram completamente quando eu só queria ser um pouco popular? A vida sempre foi solitária, e particularmente, isso sempre foi o que mais doeu saber. Eu era só uma menininha que achava que tinha sonhos, até eu passar a viver o sonho. Talvez viver o sonho seja demais, não vivi-o completamente, mas a parte que eu vivi, Deus do céu, como me arrependo amargamente de tê-la vivido.

Caí fundo demais no poço da ilusão. Fundo o bastante para achar seu fim e dar bem com a cabeça naquele chão frio e duro. Me lembro da dor, ah, que dor!, mas dor passa, só o que ficam são as cicatrizes de um tempo triste.

Pensei que talvez fosse melhor não acordar no outro dia. Ameaças, xingamentos, risadas, besteiras, coisas que ninguém merece ouvir, todas juntas no mesmo pacote. Como era possível que tudo viesse assim, de modo tão bruto? Como eu pude me rebaixar ao nível de enganar alguém (que também lá não é gente das melhores) para conseguir sair da maldita solidão?
Fui baixa, confesso. Também confesso que tudo depois veio no mesmo nível.

Caótico. Já estava até me acostumando com aquela vida. Apenas eu, ela e o banco. Amigos inseparáveis. Foi a única pessoa que não me abandonou nem um segundo se quer. Ela sabia que eu precisava dela, e que não era qualquer coisa bobinha, eu precisava de verdade.

-- Você ainda se lembra disso?
-- Me lembro com todas as letras, todas as lágrimas, todo o ódio, tudo.
-- Como você conseguiu superar?

Acordar todas as manhãs era algo que eu realmente desejava que não acontecesse. Mais um dia, mais tormento, menos lugares para fugir.
Fugir. Fugir era absolutamente tudo que eu queria fazer. Imagine só ir para um lugar bem distante daqui e levá-la na bagagem? Que sonho! Mas eu não podia fugir daquilo para sempre, hora ou outra eu teria que enfrentar, eu já sabia.
Como doía. Ah, como doeu.