domingo, 24 de outubro de 2010

Medo, passe, por favor.

Eu sou a pior pessoa do mundo. Eu sou egocêntrica, egoísta, possessiva, ciumenta, sem caráter, e... Medrosa.

Sempre tive medo da perda. Eu sempre achei que eu fosse forte (ou sempre quis ser) e numa situação tão bobinha como essa, meus olhos chegam à ficam inchados e vermelhos, as lágrimas quase já se acostumam com o toque do meu rosto e eu continuo com medo. Muito medo.

Não, ninguém nunca entenderia isso. Eu só vou fugir e fingir ter esquecido disso.

A endorfina que minhas lágrimas fizeram meu cérebro produzir já não faz mais efeito, e eu já não me lembro como me acalmar. Meu Deus, como eu sou egoísta...

Nunca soube expressar raiva, ou qualquer outra emoção se não fosse por lágrimas. Essa provavelmente vai ser sempre uma das maiores frustrações da vida. Eu ainda vou acabar adoecendo dessa maneira.

Você já teve a sensação de ser a pior pessoa do mundo, e, por cima de tudo, ter na boca o gosto amargo do medo?

Isso é só medo, e medo... deveria passar.

Essa é a primeira vez que eu não tenho certeza se isso vai passar.


Medo, passe, por favor.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Minha versão masculina diria... - Parte 1

-- Ah... Ela estava sempre andando sobre seus saltos altos com aquelas coxas formidáveis. Sua pele morena quase me entorpeceu, e seu sorriso quase me cegou. Ela era definitivamente muita areia pro meu caminhãozinho com pneu furado: aqueles olhos quase gritavam que eu nunca iria tê-la nas mãos, aqueles olhos intensos. Ah, que olhos! Escuros como jabuticabas e pequeninos como pitangas. Eles combinavam perfeitamente com seu cabelo meio cacheado, seu nariz, e seu rosto com formas tão divinas que quase furavam os olhos desse pobre coitado que sou eu...
-- Se ela era tão divina, por que estava na Terra? -- Meu neto me perguntou.
-- Digamos que ela... Que ela... Que ela não fosse das mais santas. Com certeza aprontaria muito se continuasse por aqueles lados lá de cima. -- Ele me olhou com eles imensos olhos brilhantes. -- Se continuasse por lá, com certeza causaria à outros santos o pecado da luxúria, coisa que com certeza não seria tolerado.
-- Mas que coisa... -- Ele apoiou a cabeça em uma das mãos numa posição pensativa. -- Conte-me mais sobre ela, vovô.
-- Ela tinha cintura fina (e ah, que cintura!) que minha avó costumava chamar de "cintura de Bá".
-- Quem era "Bá"?
-- Provavelmente alguma escrava que tinha naqueles tempos. -- Fiz uma pequena pausa. -- Tínhamos muitas escravas bonitas naquele tempo. Se não me engano, ela era bisneta de uma de nossas escravas. Não era negra nem mulata; apenas era morena clara, mas se ficasse muito tempo sem tomar sol poderia ficar branca como sua mãe.
-- A mãe dela era branca?
-- É. A mãe dela era filha de um húngaro alto, cheio de pose, e muito cobiçado pelas moças quando novo. A mãe da mãe dela era filha de italianos. Era lindíssima mesmo depois que se tornou uma jovem senhora.
-- Como a mãe dela era?
-- A mãe dela ou a mãe da mãe dela?
-- A mãe de sua paixão da mocidade.
-- A mãe dela era... Alta, loura, olhos grandes e verdes como as árvores da praça em que a família de minha paixão vivia. Tinha seios fartos assim como a irmã de minha paixão... -- Ele me interrompeu.
-- E sua paixão? Tinha...? -- Ele fez uma concha com cada mão e balançou, simbolizando peitos.
-- Não, ela não tinha muito. Era só o suficiente. -- Suspirei por um segundo. -- Mas tinha lindos quadris e pernas invejáveis.
-- Minha avó chegou a conhecê-la?
-- Acredito que não.
-- Minha avó era mais bonita que ela?
-- Não conte pra ela, -- Eu sussurrei. -- mas Bia era muito mais bonita, mas sua avó era charmosíssima. Além do mais, Bia não era menina pra casar. Aliás, ela odiava pensar em casamento. Ela queria mais viajar o mundo, curtir uma paixão intensa... Mesmo porque ela nunca seria mulher pra se tornar mulher de casa. Meus pais nem poderiam sonhar que eu saía com a ''sirigaitazinha'' do bairro.
-- O que aconteceu depois?
-- Acredito que de forma ou de outra ela tenha se casado com um canalha qualquer que seus pais encontraram por aí. -- Suspirei novamente. -- Ele provavelmente não aproveitaria seus beijos doces e muito menos tocaria suas mãos macias carinhosamente. Me lembro de ter ouvido boatos do se casamento.
-- O senhor chegou a conhecer o marido dela?
-- Não. Se tivesse conhecido, talvez não estivesse aqui para contar a história. Diziam que ele dava o dobro de mim e que tinha cara de bêbado, de homem que bate em mulher, sabe?
-- Ela disse algo sobre o casamento?
-- Não, mas foi sorte que não tivesse dito. Talvez eu fizesse alguma loucura só pra ficar com ela.
-- O senhor falou com ela depois disso?
-- Não. Não fui corajoso o suficiente para ir atrás dela para ir confirmar a história, e nesse meio tempo eu conheci sua avó, então, acabei desistindo dela.
-- Você ama mais minha avó do que ela?
-- Mas é claro! -- Menti.

Continua...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tempo.

Os dias tem sido longos, cansativos, e principalmente sem sentido. De que é que adianta viver se não há o maldito amor? Não consigo entender qual o pecado em querer ser amada, ainda ter esperanças de algo que talvez não venha tão cedo ou quem sabe nunca.

Então, Tempo, mude as perguntas, faça que o sentido volte, ou melhor, que a falta dele volte. Me dê forças para tentar encontrar o seu paradeiro. Eu ainda acredito no amor, e vou deixando você me levar até que os desejos adormecidos em seus lábios acordem e me levem ao infinito.

Tempo, não seja tão cretino comigo!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O nome dela é Vingança. -- Parte 1.

Uma vez, alguém com a ausência dela, me disse ainda a amava.

-- Como se pode amar algo que te faz se sentir mal? -- Perguntei inocentemente.
-- Como se pode amar algo que só te faz bem? -- Ele perguntou, rebatendo minha pergunta.

Calei-me. Pensei, por um segundo, que amar algo que só te faz bem é inevitável, porém, cansativo. Nunca fui o tipo de pessoa que gostou daquilo que apenas fez bem, nunca tive paciência pra esse tipo de coisa justamente por querer me fazer mais melosa.
Não sou melosa e ponto. Ninguém vai tirar isso de mim. Eles não de precisam de demonstração de afeto em público. Aliás, se depender de mim, eles não precisam nem nunca vão precisar de afeto nenhum. Só aquela falsidade toda já basta para encher seus "corações" (se é que eles tem um) de alegria.

-- Bem, -- Eu tentei dar uma resposta ainda melhor. -- Não se pode amar algo que só te corrói os ossos.
-- ... assim ficará com osteoporose. -- Ele soltou uma risada que nada me agradou.
-- Como pode brincar com uma coisa dessas?! -- Perguntei franzindo o cenho por conta de tal indignação.
-- Corroer os ossos envolve diversos processos, e , apesar de não conhecer nenhum deles, me pergunto se não há realmente beleza nisso tudo.
-- Beleza?! Mas você só pode estar ficando louco! O que há de belo em corroer ossos? -- Eu quase gritei.
-- Ela me abandonou há muito tempo, se lembra? -- Ele fez uma pequena pausa e suspirou. -- Ainda sinto teu cheiro e a sensação que me dava entre as tripas só de imaginá-la chegando. Deus! Que mulher!

Ele sempre suspirava ao falar dela. Sempre. Suas pernas eram as melhores, seus olhos os mais intensos, sua boca a mais carnuda, teu cabelo o mais brilhante, e blá-blá-blá! Ele nunca percebeu minha presença, nunca me tratou como um ser do sexo oposto, sempre foi... sempre foi... "Amigona". Já estou cansada de tal tratamento. Será que é tão difícil para ele ver que eu o amo? Será que...?

-- Qual era o nome dela? -- Perguntei pouco animada.
-- Vingança. -- Ele respondeu com seus olhos brilhando. -- Nunca achei ninguém tão interessante quanto ela.

Vingança. Aquele nome me pareceu familiar mas não perguntei se cheguei a conhecê-la. "Nunca achei ninguém tão interessante quanto ela", ah, se ele soubesse o quanto escutar isso me dói o coração...

-- Por que... -- tomei coragem e continuei -- por que ela já não te quer mais?
-- Ela era independente demais. Vivia pulando de galho em galho à procura de um bom parceiro para colocar em prática seus sonhos. -- Ele suspirou -- Eu era jovem demais, não poderia entender o porquê de tudo aquilo. Ela sempre me dizia que eu nunca seria sagaz como ela. Sempre tentava me envolver em seus planos malucos já que era demasiadamente sonhadora. -- Ele fez outra pausa.-- O que eu mais queria era ser um desses seus sonhos.
-- Que tipo de sonhos ela tinha? -- Ele já estava começando a irritar-se por estar sendo bombardeado de perguntas.
-- Sonhos que ninguém jamais imaginaria. Ela era inteligetíssima. Poderia fisgar até o presidente, se necessário. Fazia qualquer coisa para conseguir o que queria.
-- Mas o que ela queria de tão importante?
-- Ela queria o mundo à seus pés, e logo conseguirá.
-- Ela é famosa?
-- Sim, muito.
-- Por que não a conheço?
-- Ainda é muito jovem para conhecê-la.
-- Por que sempre me trata como criança? -- Eu gritei -- Não tenho cinco anos! Não tenho!
-- Você age como tal.

Continua...

domingo, 3 de outubro de 2010

Intensamente.

Não entendo o que há de errado em amar.
Independente de sexo, raça, cor, amor é amor
E ninguém vai mudar.

Se tiver vontade,
Faça.
Torne verdade,
Esqueça a sociedade
E a apenas viva

Intensamente.