quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O nome dela é Vingança. -- Parte 1.

Uma vez, alguém com a ausência dela, me disse ainda a amava.

-- Como se pode amar algo que te faz se sentir mal? -- Perguntei inocentemente.
-- Como se pode amar algo que só te faz bem? -- Ele perguntou, rebatendo minha pergunta.

Calei-me. Pensei, por um segundo, que amar algo que só te faz bem é inevitável, porém, cansativo. Nunca fui o tipo de pessoa que gostou daquilo que apenas fez bem, nunca tive paciência pra esse tipo de coisa justamente por querer me fazer mais melosa.
Não sou melosa e ponto. Ninguém vai tirar isso de mim. Eles não de precisam de demonstração de afeto em público. Aliás, se depender de mim, eles não precisam nem nunca vão precisar de afeto nenhum. Só aquela falsidade toda já basta para encher seus "corações" (se é que eles tem um) de alegria.

-- Bem, -- Eu tentei dar uma resposta ainda melhor. -- Não se pode amar algo que só te corrói os ossos.
-- ... assim ficará com osteoporose. -- Ele soltou uma risada que nada me agradou.
-- Como pode brincar com uma coisa dessas?! -- Perguntei franzindo o cenho por conta de tal indignação.
-- Corroer os ossos envolve diversos processos, e , apesar de não conhecer nenhum deles, me pergunto se não há realmente beleza nisso tudo.
-- Beleza?! Mas você só pode estar ficando louco! O que há de belo em corroer ossos? -- Eu quase gritei.
-- Ela me abandonou há muito tempo, se lembra? -- Ele fez uma pequena pausa e suspirou. -- Ainda sinto teu cheiro e a sensação que me dava entre as tripas só de imaginá-la chegando. Deus! Que mulher!

Ele sempre suspirava ao falar dela. Sempre. Suas pernas eram as melhores, seus olhos os mais intensos, sua boca a mais carnuda, teu cabelo o mais brilhante, e blá-blá-blá! Ele nunca percebeu minha presença, nunca me tratou como um ser do sexo oposto, sempre foi... sempre foi... "Amigona". Já estou cansada de tal tratamento. Será que é tão difícil para ele ver que eu o amo? Será que...?

-- Qual era o nome dela? -- Perguntei pouco animada.
-- Vingança. -- Ele respondeu com seus olhos brilhando. -- Nunca achei ninguém tão interessante quanto ela.

Vingança. Aquele nome me pareceu familiar mas não perguntei se cheguei a conhecê-la. "Nunca achei ninguém tão interessante quanto ela", ah, se ele soubesse o quanto escutar isso me dói o coração...

-- Por que... -- tomei coragem e continuei -- por que ela já não te quer mais?
-- Ela era independente demais. Vivia pulando de galho em galho à procura de um bom parceiro para colocar em prática seus sonhos. -- Ele suspirou -- Eu era jovem demais, não poderia entender o porquê de tudo aquilo. Ela sempre me dizia que eu nunca seria sagaz como ela. Sempre tentava me envolver em seus planos malucos já que era demasiadamente sonhadora. -- Ele fez outra pausa.-- O que eu mais queria era ser um desses seus sonhos.
-- Que tipo de sonhos ela tinha? -- Ele já estava começando a irritar-se por estar sendo bombardeado de perguntas.
-- Sonhos que ninguém jamais imaginaria. Ela era inteligetíssima. Poderia fisgar até o presidente, se necessário. Fazia qualquer coisa para conseguir o que queria.
-- Mas o que ela queria de tão importante?
-- Ela queria o mundo à seus pés, e logo conseguirá.
-- Ela é famosa?
-- Sim, muito.
-- Por que não a conheço?
-- Ainda é muito jovem para conhecê-la.
-- Por que sempre me trata como criança? -- Eu gritei -- Não tenho cinco anos! Não tenho!
-- Você age como tal.

Continua...

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