domingo, 18 de julho de 2010

Por um momento eu quis estar no meio deles.

-- Você sabe que não vale a pena. -- Ela me disse pacientemente, com uma das mãos em meus ombros.

Fomos ao banheiro. Nem mesmo naquele lugar, o qual era considerado sagrado para nós, onde as fofocas e risadas rolavam soltas, pude ter um minuto de paz. Nada vai mudar. Eu sei disso. Eu nunca mais vou estar entre eles. Me dói um pouco saber disso, sabia? 
Quero acreditar que ela esteja certa. Quero acreditar que eu não estou perdendo tempo, mesmo pensando que sim. 

Eu definitivamente não posso mais chamar aquele lugar de casa. 

Antigamente eu gostava de lá. Gostava de verdade, juro. 

Eu sou só um ser humano qualquer. Tenho meus desejos guardados, ou melhor: trancados, dentro de mim. É quase impossível aguentar tanta pressão. 

-- Daria tudo pra fugir daqui. -- Eu disse com os olhos cheios de lágrimas.
-- Eu também, mas agora não tem jeito. Você sabe como é. 
-- Você acha mesmo que alguma coisa pode mudar?
-- Bem... -- Ela pensou um pouco -- Acho que só por meio de um milagre.
-- Eu já não aguento mais. É tudo tão doloroso. Parece que me enfiam estacas a todo momento.

Ela me olhou e abaixou a cabeça. Para ela também devia ser doloroso. 

Eu me lembro daquele dia como se fosse hoje.

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