No espelho apenas uma imagem que já não é mais minha, apenas um corpo transparente, tão carente, e que quase não se nega a nada. Um corpo, só um corpo, preso a um copo. Copo sem fundo, apertado, e que quase rouba o fôlego. Só um copo, copo comum.
Copo que gostaria de quebrar, trocar tal carcaça por algo que não é meu, não sou eu, não sou. Trocar o miolo, talvez, seja a melhor solução para a solidão e para as consequências.
Apenas, apenas a cor, o laço, o traço, a cabeça e o copo, a carcaça nua, tão crua, tão ela, tão dela, e tão desanimada numa singela noite fria de sexta-feira. A última feira não lhe trouxe a folga, mas a folga, ah, ela já não sabe mais onde se escondeu, ou quer onde que se encontre.
O sono, cansaço, tédio, e o relaxo, ela sabe. E como sabe!
Copo, apertado, aguado e sem gosto, troque o miolo, troque a vida.
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