sábado, 29 de janeiro de 2011

Fingir.

Eu sempre soube que eu não podia contar com ninguém. Sempre soube que era melhor confiar apenas em mim mesma do que colocar confiança em outra pessoa. Há muito tempo eu estou mal, e ninguém nunca percebeu. Será mesmo que ninguém presta atenção em mim a ponto de ter que escutar algo falar que eu não estou ok?

Nem as pessoas que deveriam me conhecer melhor, não me conhecem. Se é assim, se eles nem me conhecem, por que eu deveria confiar neles? Eu não confia há muito tempo em nada do que me dizem. Eu finjo que acredito, finjo que estou bem, finjo que não há nada de errado, finjo ser algo que eu não sou, finjo ser alguém, eu só finjo o dia todo. Você não acha que é melhor ficar quieta se quando você abre a boca você só diz mentiras e mais mentiras?

Eu só quero fugir daqui o mais rápido possível, quero ir pra algum lugar onde eu consiga dizer algo que seja realmente meu, e onde eu ache alguém em quem confiar, onde eu não seja deixada de lado, onde eu possa querer algo mais sem ninguém pra me por pra baixo. Será que esse lugar existe?

Pai, mãe, irmã. Eu já não aguento mais morar com vocês, posso sair daqui? Por que quero saír daqui? Porque até mesmo quando nós estamos almoçando, vocês me deixam sozinha, nem reparam se eu já terminei de comer, deve ser porque vocês nunca reparam em mim. Vocês são ótimos parentes, tão ótimos que eu quero ir pra bem longe só pra nunca mais depender de vocês.

Vai ser melhor que eu vá embora, menos uma boca pra alimentar, não é, pai? Menos dinheiro pra gastar, menos alguém pra chatear. Por que o senhor não gosta de mim? O que é que eu tenho de errado?

Nunca vai dar certo entre a gente, entendam, por favor. Apesar de tudo, eu ainda amo vocês, e é por isso que dói tanto ser ignorada. Sejam felizes. Eu vou ser, mas bem longe daqui. Talvez algum dia eu mande uma carta, um e-mail, não sei.

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